domingo, 5 de junho de 2016

5 - Visitas Eucarísticas: o Bom Pastor

Carissimi diligamus invicem quoniam caritas ex Deo est et omnis qui diligit ex Deo natus est et cognoscit Deum qui non diligit non novit Deum quoniam Deus caritas est in hoc apparuit caritas Dei in nobis quoniam Filium suum unigenitum misit Deus in mundum ut vivamus per eum (1Jo 4, 7-9).

Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.  Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele (1Jo 4, 7-9).


Primeiro Prelúdio. Deus manifestou-nos o seu amor enviando-nos o seu Filho que deu a sua vida por nós.
Segundo Prelúdio. O amor chama o amor; o amor menosprezado chama o amor reparador.

I - A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor. – Quando Jesus mostrava a Margarida Maria o seu Coração apaixonado de amor pelos homens, e incapaz de conter mais longamente as chamas que o devoravam, que queria ele senão atrair a atenção sobre este amor, levar-nos a prestar-lhe homenagem, convidar-nos e irmo-nos alimentar neste Coração infinitamente rico? (Bainvel).
Ao dizer-nos que encontra um singular prazer em ser honrado sob a figura de um coração de carne, que objectivo tem? Que é que nos pede senão honrarmos o seu amor e responder-lhe dando-lhe amor por amor? A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor.
A devoção ao Sagrado Coração reconduz-se, portanto, segundo a palavra de Pio V, a venerar a imensa caridade e o amor pródigo (effusum) de Nosso Senhor, acendendo o nosso amor neste fogo de amor.
Margarida Maria, resumindo as suas visões, escrevia ao P. Croiset: «Era-me mostrado um Coração sempre presente, lançando chamas de toda a parte, com estas palavras: Se soubesses como estou sedento de me fazer amar pelos homens, não descuidarias nada por isto… Tenho sede, ardo por ser amado».

II - O amor apela ao amor. – O fim da nova devoção, dizia o postulador de 1697, é pagar um tributo de amor à fonte mesma do amor. – O primeiro fim que temos em vista, dizia o postulador de 1727, o P. de Gallifet, é responder ao amor de Cristo. – E o P. Croiset: Isto aqui não é senão um exercício de amor; o amor é o seu objecto, o amor é o seu motivo principal, e é o amor que deve ser também o seu fim.
É assim de facto que o entende a Igreja. Ela diz na secreta da missa Egredimini: «Nós vos suplicamos, Senhor, que o Espírito Santo nos inflame do amor que Nosso Senhor Jesus Cristo fez jorrar do seu Coração sobre a terra, e do qual quer que ela se abrase». Quando Pio IX, em 1856, estendia a festa do Sagrado Coração à Igreja inteira, era para «fornecer aos fiéis estímulos para amar e pagar com amor o Coração daquele que nos amou e lavou os nossos pecados no seu sangue».
Quando eleva a festa a um rito superior, é para que «a devoção de amor ao Coração do nosso Redentor se propague sempre mais, e desça mais adiante no coração dos fiéis, e que assim a caridade, que em muitos arrefeceu, se reanime nos fogos do divino amor».
Leão XIII repetiu os mesmos ensinamentos. Na sua Encíclica de 28 de Junho de 1889, escreve: «Jesus não tem desejo mais ardente que o de ver acender-se nas almas o amor do qual o seu próprio Coração é devorado. Vamos, portanto, àquele que não nos pede como preço da sua caridade senão a reciprocidade do amor».
Nada de mais claro; o acto próprio da devoção ao Sagrado Coração é o amor.

III - O amor menosprezado chama o amor reparador. – A devoção ao Sagrado Coração sendo uma resposta de amor ao amor menosprezado e ultrajado, apresenta-se naturalmente como um amor de reparação. Assim todos os documentos autorizados falam-nos da reparação ao mesmo tempo que do amor.
O amor de Jesus, tal como se mostrou a Margarida Maria, é especialmente o amor menosprezado e ultrajado, e é isso que dá a sua importância ao acto de reparação no culto do Sagrado Coração.
O P. Eudes não esqueceu a reparação, mas deixa-a em segundo plano, ele está totalmente absorvido pelo amor, canta o amor.
Margarida Maria, a pedido de Nosso Senhor, coloca no mesmo plano o amor e a reparação. Mas é uma reparação de amor sobretudo que ela pede, antes que uma reparação de justiça ou de expiação.
Esta reparação de amor traduz-se na pública retratação, que se dirige precisamente ao amor menosprezado e ultrajado.
O amor, a consagração ou dom amoroso de si ao Sagrado Coração, a vida toda para ele e dele, mantêm o primeiro lugar nos escritos de Margarida Maria. A reparação e a pública retratação vêm depois, como um testemunho especial de amor para com o amor menosprezado e ultrajado do Salvador.

Resoluções. – Amor e reparação, consagração assídua de mim mesmo, eis o que o Sagrado Coração espera de mim. Mas esta consagração deve abraçar todos os meus actos. Devo renová-la no começo de cada uma das minhas acções, e é preciso para isso viver num piedoso e constante recolhimento, sob o olhar de Nosso Senhor no espírito de amor e de reparação.

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