sexta-feira, 3 de junho de 2016

3 - O Coração que ama os homens

Estote ergo imitatores Dei sicut filii carissimi et ambulate in dilectione sicut et Christus dilexit nos et tradidit se ipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo in odorem suavitatis (Ef 5, 1-2).


Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 5, 1-2).


Sacratíssimo Coração de Jesus, eu confio e espero em Vós!
É sobretudo o seu amor pelos homens que honramos no Coração de Jesus. 
I - O amor que honramos neste culto é sobretudo o amor de Jesus pelos homens, o amor que pede uma reciprocidade de amor. Quem é que melhor nos pode instruir senão Nosso Senhor mesmo? Ora o que foi que ele disse a Margarida Maria? Quando da sua primeira grande revelação, no dia 27 de Dezembro de 1673, na festa de S. João, mostra-lhe o seu coração sobre um trono com uma coroa de espinhos e a cruz, e diz-lhe que estes instrumentos da Paixão significavam o amor imenso que manifestou pelos homens e pelo qual pedia um amor recíproco.
Na segunda grande revelação, na primeira sexta-feira de Junho de 1674, Nosso Senhor descobre à sua serva «as maravilhas inexplicáveis do puro amor, e até àquele excesso que o tinha levado a amor os homens dos quais não recebia senão ingratidões e desconhecimentos…».
Finalmente, na terceira grande revelação, durante a oitava do Santíssimo Sacramento em 1675, Nosso Senhor dá a fórmula definitiva desta devoção: «Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar o seu amor, e que não recebe em troca, na maior parte das vezes, senão ingratidões e desprezos…». Nada mais claro, Nosso Senhor queria sobretudo recordar-nos os seu amor por nos e pedir-nos um amor recíproco.

II - É também, por extensão, o seu amor por Deus. – O amor de Jesus pelos homens não vai sem o seu amor pelo seu Pai; está por ele todo penetrado, colhe nele a sua fonte, tem nele o seu motivo, Jesus sabe o grande /620 mandamento: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração…» e o segundo mandamento, que é semelhante ao primeiro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo e por Deus».
Chama a nossa atenção sobre o seu amor por nós, mas espontaneamente nós estendemos a nossa contemplação a todo o seu Coração, a todo o seu interior, a todas as suas virtudes, e o sentimento mais elevado que aí encontramos é o seu amor pelo seu Pai. «As principais virtudes que se pretende honrar no Coração de Jesus, diz o P. Cláudio de la Colombière, são primeiramente um amor ardentíssimo de Deus seu Pai». O P. Croiset e o P. de Gallifet não falam de modo diferente. A devoção ao Coração de Jesus é, no seu objecto directo e imediato, a devoção ao Coração de Jesus ardente de amor por nós; mas é também, por uma extensão legítima e natural, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus em toda a sua vida íntima, nas suas virtudes e particularmente no seu amor por Deus.
Enquanto emblema, é o seu amor por nós que Jesus nos revela ao descobrir-nos o seu coração, mas convida-nos indirectamente a contemplar este divino Coração em toda a sua vida íntima e em todas as suas virtudes, das quais a primeira é o amor pelo seu Pai.

III - É o seu amor criado antes que o seu amor incriado. – Qual é o amor de Jesus que é preciso honrar na devoção ao Sagrado Coração, o seu amor criado ou incriado? O amor com que nos ama como homem na sua natureza humana, ou aquele com que nos ama como Deus na sua natureza divina e, para repetir uma expressão clara e curta, aquele que criou Lázaro ou aquele que chorou sobre Lázaro? (P. Bainvel)
Não há dúvida que o objecto preciso e formal da nossa devoção é o Coração humano de Jesus, animado do seu amor divino e humano. É o Coração do Verbo incarnado que tanto amou os homens; é o imenso amor do Verbo incarnado, que se manifesta em toda a sua vida, na sua morte, no Santíssimo Sacramento. Assim falam aqueles que tinham a missão de propagar esta devoção, o P. de la Colombière, o P. Croiset, o P. de Gallifet.
Mas aconteceu, e isto era natural que se passasse facilmente à consideração do amor puramente divino, que levou o Verbo de Deus a nos criar, a nos conservar e sobretudo a tomar um corpo mortal para nos salvar. Isto não é estritamente a devoção ao Sagrado Coração, é uma consequência. Tendo-nos tornado mais amantes a respeito do Coração do Verbo Incarnado, tornamo-nos também mais gratos para com o Verbo divino/621 que quis tomar um corpo humano para o oferecer como vítima em nosso proveito.

Resoluções. – Quanto mais a minha devoção se esclarece, mais amo o Coração de Jesus. Conheço-o melhor, medito-o mais facilmente. Quero viver e morrer neste Coração, que viveu por meu amor. Quero unir-me a ele sempre mais fielmente no começo das minhas ações.


Meditações do Venerável Leão Dehon
_________________________________________


Nenhum comentário:

Postar um comentário